Opinião

Banner_AfonsoLuis

Ainda e sempre a austeridade

A GRÉCIA talvez se salve. A EUROPA também. Mas… austeridade por austeridade não dá. É um tipo de economia política que promove a regressão social, para além de profundamente injusta sobre os rendimentos do trabalho, e tem efeitos devastadores na criação de riqueza e do emprego. Os condicionalismos restritivos da economia que ao longo dos últimos anos a União Europeia (UE) pretendeu impor resultaram em situações sociais alarmantes nos países do sul.
Vejamos, com base nos números de 2013, o caso de Portugal. A taxa de risco de pobreza era de 18,7 por cento; no conjunto da EU, 16,7 por cento. O rácio da desigualdade de rendimentos entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres era de 6, contra 5 da média da EU. (Na Suécia, por exemplo, era de 3,7). Mas, segundo dados citados pelo jornal “Expresso”, os portugueses em risco de exclusão social ultrapassam os 27 por cento. Ainda em 2013, a dívida pública portuguesa situava-se nos 128 por cento do PIB, a segunda mais elevada a seguir à da Grécia (na Suécia, 37,7).
A grande questão: não teria sido possível reduzir o défice público sem tão agressiva austeridade? Parece que sim, embora com um pouco mais de tempo. Essa é, aliás, uma das importantes conclusões a que chegou um grupo de doze professores de economia, num documento elaborado a pedido do Secretário Geral do P.S., António Costa. Como amigo pessoal de um desses economistas, o independente Prof. Vítor Escária, pude com ele trocar impressões sobre este tema e concluir que o documento é resultado de profundo estudo sobre a macroeconomia dos tempos que se avizinham.
Já o filósofo e académico norte-americano Chomsky, que recentemente deu uma conferência na Fundação Gulbenkien, disse que “a única esperança dos países do Sul da Europa seria apresentarem-se numa frente unida para se oporem aos programas de austeridade destrutivos e sem sentido do ponto de vista da economia. Estão a destruir a conquista mais importante do pós –guerra, o estado social. Se Portugal e Espanha continuarem no erro de não apoiar a Grécia serão devastados por programas de austeridade uns a seguir aos outros.

Outras notícias em Opinião

  • As sementes na sua dieta

    O equilíbrio é extremamente importante na dieta diária, bem como o fraccionamento e a diversidade. As sementes são uma opção uma vez que conferem diversidade,…

  • Extraordinários. Manuel Castelhano

    Neste 2020, em cada edição, pessoas extraordinárias em algum aspeto da sua vida, com ligação à nossa região. Exalte-se a boa gestão, numa semana em…

  • Vinho contribui para o pão de um milhão de portugueses

    Na agricultura alcobacense de há sessenta e tal anos, não havia semana-inglesa, muito menos americana, que seria considerada uma modernice, sem viabilidade. Só não se…

  • Uma figura que emerge

    O Alcoa noticiou, na última edição, que o novo presidente da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) é o bispo de Setúbal, D. José Ornelas. Tendo tomado…

  • A força de um discurso

    Notável peça de oratória. O discurso do Cardeal D. Tolentino Mendonça, no dia 10 deste mês, tem de tudo: história, filosofia, poesia, teologia… Já tive…

  • Extraordinários. Basílio Martins

    Neste 2020, em cada edição, pessoas extraordinárias em algum aspeto da sua vida, com ligação à nossa região. “O meu general”. Assim lhe chamava o…

  • Recomeço das missas em comunidade presencial

    Depois de todo este tempo em confinamento, durante o qual estivemos privados do acesso direto à Sagrada Eucaristia, todos celebrámos, com muita expectativa, a possibilidade…

  • Consultório de Psicologia

    Tenho filhos em idade escolar que precisam de apoio ao estudo. Como posso apoiá-los de uma forma eficaz? Caro leitor, cara leitora, As crianças são…

  • Os Choctaw e a Covid

    A tribo dos índios Choctaw é a terceira maior tribo de índios norte-americanos, logo depois das tribos Cherokee e Navajo. Entre os anos 1830 e…

  • Joana do Mar

    Isolamento… Quarentena… Distância… Palavras estas mencionadas tantas vezes recentemente, mas que na realidade fazem parte da vida de emigrantes. O meu nome é Joana do…