“As juntas sabem melhor que ninguém os problemas da sua terra e da sua população”

Foto por Daniela Ferreira

Esta é a quinta de uma ronda de entrevistas aos presidentes de junta no cargo pela primeira vez. Desta vez ao independente José Félix, o novo presidente da Junta de Freguesia da Maiorga.

PERFIL

Nome: José Manuel Oliveira Félix
Data de nascimento: 22 de junho de 1964
Naturalidade: Maiorga
Atividade Profissional: Técnico Oficial de Contas
Porque se candidatou: Aceitei candidatar-me porque o meu número dois, Vítor Rocha, me desafiou. Eu disse-lhe para ele avançar primeiro e eu acompanharia, mas ele achou que tinha que ser assim, que eu tinha mais experiência que ele. Foi um desafio que lançámos: eu, ele e a Sandrina Domingues, e se calhar só avançámos porque íamos os três juntos, se não fosse assim, acho que não nos candidatávamos. Entendemo-nos bem e depois há outras pessoas que me têm surpreendido pela positiva. A nossa lista continua a ter os seus encontros e reuniões e todos os meses nos juntamos para um jantar convívio. Tem sido muito positivo.

ORA DIGA LÁ…

Um país: Itália
Um livro: “O meu programa de Governo” de José Gomes Ferreira
Uma música: Qualquer uma de Zeca Afonso
Um filme: O Rei Leão
Um político: António Vitorino

 

MAIORGA

População: 1750 eleitores
Presidente de junta anterior: Rosa Domingues
Primeira obra que quer realizar: O alcatroamento da estrada do Casal Botas é uma necessidade

 

Quais são os principais problemas em concreto que a Maiorga enfrenta?
A Maiorga problemas concretos não tem, tem algumas necessidades. A situação da estrada 1º de dezembro é uma necessidade, porque o asfalto está muito deteriorado, mas a situação do Casal Botas é a mais grave de todas. Depois são coisas pontuais, como a Urbanização do Outeiro. Gostaríamos de ver a situação clarificada, para saber o que podemos lá fazer. Está feia, cheia de silvas; não está minimamente cuidada porque não podemos atuar. Não é nosso.

Como tem sido até agora gerir a freguesia?
Gerir a freguesia não tem sido complicado, mas também ainda não tivemos tempo para grandes complicações, e esperemos que não venham muitas. O que nos tem surgido temos tentado resolver dentro das nossas possibilidades e o que não conseguimos temos batido à porta do município, que não nos tem fechado as portas, como não deve. Não tem sido difícil.

A primeira experiência como autarca, como está a ser?
Está a ser positiva. Já tinha conhecimento de algumas coisas e outras são novidade. Certas coisas pensávamos que podíamos resolver mas não está nas nossas mãos. Não é fácil às vezes ultrapassar determinadas situações, mas há sempre uma resolução.

Que obras há por fazer que sejam mais relevantes para a freguesia?
Não podemos deixar esquecer duas obras que estão adjudicadas, que estão em falta para com a freguesia e não são obras da junta: o alcatroamento da estrada da Boavista para a Maiorga que é uma obra da Lena Construções e o passeio pedonal na rotunda do IC9 entre a Maiorga e a Fervença, porque não há acesso para peões entre as duas localidades. Essas duas obras são fundamentais, necessárias e urgentíssimas. Só falta mesmo a sua execução. No que toca a obras da junta de freguesia, gostaríamos de fazer um monumento ao músico. A música é uma grande herança que a Maiorga tem e há um compromisso por parte do município em o efetuar. E um parque infantil, uma zona mais dedicada às crianças, na parte de baixo do parque de estacionamento da junta.

Como está a situação financeira da junta?
Não temos dívidas mas também não há qualquer fundo de maneio para fazer obras. As verbas que são recebidas por parte do município e por parte do estado são para ordenados e despesas da junta, água, luz, gasóleo, as despesas gerais. Não sobram milhões.

Qual é o pilar de crescimento da freguesia e o que pode a junta fazer em concreto para apoiar o crescimento?
À medida que os tempos vão mudando vão sendo pilares diferentes. Nós tivemos uma grande época em que o pilar era a agricultura. Depois com a faiança em alta, tivemos muitas fábricas de louça na freguesia. Houve uma grande decadência mas neste momento penso que se está a manter, apesar de dificilmente voltar ao que era. Portanto, acho que nesta altura o pilar da freguesia é dividido entre a faiança e a agricultura. O facto é que a freguesia está a ficar muito desabitada, os jovens estão a sair para as universidades e depois não voltam. Penso que isto é um mal nacional, mas na Maiorga, como é pequena, nota-se mais do que noutras localidades. O comércio também está muito fraco. A junta pode apoiar dentro das suas possibilidades mas também não temos fundos para fazer muito por eles. Por exemplo, se a urbanização crescesse, podia ser uma mais valia para a Maiorga, mas por outro lado podia passar a ser um dormitório e isso não é vantajoso. Com a construção parada, não é fácil haver desenvolvimento, ao contrário do que eu gostaria.

A câmara municipal pretende estabelecer um protocolo de descentralização de competências para as juntas de freguesia. Qual é a sua opinião sobre este projeto?
Esse tema é muito curioso e está agora no auge. As descentralizações de competências são positivas pois as freguesias melhor que ninguém sabem as necessidades e problemas da sua terra e da sua população. Por isso, acho bem. Por outro lado, se recebemos as responsabilidades e depois não existem fundos para as minimizar, aí o assunto fica mais complicado.
Se for descentralização de competências acompanhadas de fundos, concordo que deve haver essa parceria e é de louvar.

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