As últimas semanas

José Maria André
Professor do I. S. Técnico

Em muitos países, a comunicação social ignora a vida da Igreja, mesmo carregada de acontecimentos e mensagens importantes. Podemos reclamar, mas o mais eficaz é procurar fontes de informação mais fiáveis.

Os pontos altos das últimas semanas foram a viagem apostólica ao Chipre e à Grécia, de 2 a 6 de Dezembro, e a visita do Papa Francisco à Comunidade do Cenáculo, no dia 8, onde encerrou o ano dedicado a S. José e falou da família e da conversão.

A estadia no Chipre e na Grécia parece ter sido um momento de viragem nas relações dos Ortodoxos com a Igreja. Por várias razões, um dos temas em foco foi o arrependimento e a conversão. «Parece que pedir desculpa é a coisa mais difícil e o Papa pediu desculpa de modo espectacular» —sintetizou um jornalista da televisão cipriota que acompanhava a viagem.

Diante do Patriarca Ieronymos, o Papa pediu desculpa pelas divisões entre os cristãos, sobretudo as que foram provocadas por católicos, e também pela traição de alguns católicos que se opuseram, há muitos anos, à independência grega. Na conferência de imprensa no regresso a Roma, o Papa relacionou estes pedidos de desculpas com a relação com Deus: «Calamo-nos quando sentimos que devíamos pedir desculpa, mas eu gosto de pensar que Deus nunca Se cansa de perdoar. Jamais Se cansa! Somos nós que nos cansamos de pedir perdão e, quando não pedimos perdão a Deus, dificilmente o pediremos aos irmãos. É mais difícil pedir perdão a um irmão do que pedir perdão a Deus, porque sabemos que Deus responde: “Sim, vai, estás perdoado”. Em contrapartida, com os irmãos, há a vergonha e a humilhação… Mas no mundo de hoje é precisa esta atitude de humilhação e de pedir desculpa. Tantas coisas acontecem no mundo, tantas vidas perdidas, tantas guerras… Como é que não havemos de pedir desculpa? (…) E há ainda um outro pedido de desculpas —que me vem do coração— pelo escândalo do drama dos migrantes, pelo escândalo de tantas vidas afogadas no mar».

No dia da partida para a viagem pastoral, o Papa aceitou a demissão do Arcebispo de Paris, Michel Aupetit, e referiu-se ao assunto. Lamentou que se tivesse dito que o Arcebispo tinha sido condenado. «Mas quem é que o condenou?!» Explicou que Aupetit, tinha feito umas pequenas carícias imprudentes a uma senhora [antes de ser bispo] e que «isto é um pecado, mas não é um dos pecados mais graves (…). Assim, Aupetit é um pecador, como o sou eu (…), como foi Pedro, o bispo sobre quem Cristo fundou a Igreja. Como é que a comunidade daquele tempo aceitou um bispo pecador? E com pecados graves (…), como renegar Cristo? É que era uma Igreja saudável, habituada a sentir-se sempre pecadora, todos: era uma Igreja humilde. Vê-se que a nossa Igreja não está habituada a ter um bispo pecador e fazemos de conta (…). Não, isto é “Capuchinho Vermelho”. Todos somos pecadores. Mas quando o falatório cresce, cresce, cresce e rouba a boa fama, já não se pode governar, porque se perdeu a fama, não por causa do seu pecado —que é pecado, como o de Pedro, como o meu, como o teu, é pecado— mas por causa da bisbilhotice das pessoas que espalharam estas coisas. (…) Isto é uma injustiça. Por isso aceitei a demissão de Aupetit não sobre o altar da verdade, mas sobre as aras da hipocrisia».

Mal chegou a Roma, o Papa foi à capela de Nossa Senhora Salvação do Povo Romano, na basílica de Santa Maria Maior, agradecer os frutos da viagem e as expectativas criadas. No dia 8 levou flores à estátua da Imaculada Conceição, no coração da Roma antiga.

Na tarde desse 8 de Dezembro ainda foi à Comunidade do Cenáculo encerrar o ano dedicado a S. José. Continuando os temas da fidelidade familiar e do arrependimento, que tem desenvolvido nas últimas semanas, o Papa disse-lhes: «Não tenhais medo da realidade, da verdade, das nossas misérias. Não tenhais medo porque Cristo gosta da realidade como ela é, sem maquilhagem, o Senhor não gosta das pessoas que maquilham as suas almas, que maquilham os seus corações».

Um apontamento anedótico: neste dias, com o pretexto de aprofundar um espírito de compreensão mais universal, a União Europeia propôs-se proibir as referências ao Natal. Muita gente reagiu e os responsáveis retiraram rapidamente o documento, pedindo desculpa por ele «não cumprir o objectivo proposto e não ser um texto amadurecido, com o nível de qualidade habitual». Apanhado na viagem apostólica, o Papa classificou o documento como um anacronismo e comparou-o com as ditaduras que, ao longo da história, tentaram acabar com o Natal, referindo em concreto «Napoleão, a ditadura nazi e a ditadura comunista». «É uma moda de laicismo aguado, tipo água destilada… que nunca funcionou na história». E acrescentou um recado: «A União Europeia deve agarrar novamente os ideais dos Pais fundadores, de unidade, de grandeza, e ter o cuidado de não deixar as colonizações ideológicas infiltrarem-se; isso pode (…) fazer o projecto da União Europeia fracassar».

José Maria André
Professor do I. S. Técnico

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