Opinião

Banner_PedroCintra

Centro de Memória Viva

Um hotel de 5***** no Mosteiro? É pobre. No mínimo é uma discussão pobre, se sim ou não, quando deveríamos antes saber o quê e como fazer para este imenso edifício voltar a ser uma estrutura VIVA da Cidade. Que serviços deverá albergar. Com que objetivos. Em quanto tempo. O Mosteiro de Alcobaça é, pela sua NATUREZA, o lugar da religiosidade, o lugar da arte e da arquitetura, o lugar do conhecimento e, em última análise, o lugar da História. Uma religiosidade VIVA passa exclusivamente por garantir que os cristãos possam ter nele um lugar de culto? Uma arte e arquitetura VIVAS para que se usufrua dos espaços, se apreciem os valores arquitetónicos e a realização cisterciense nas mais diversas áreas artísticas, ou também para mostrar e criar arte? Um lugar de conhecimento VIVO essencialmente na possibilidade de transmissão dos saberes ancestrais ligados à agricultura, à hidráulica, ao uso dos solos, à administração do território e sobre os quais se produza novo conhecimento? Um lugar de História VIVA, onde se possa perceber como se estruturava a comunidade da Abadia, como nasceu a Cidade, a sua importância no contexto da Nacionalidade, como se fazia a administração dos Coutos, o contexto europeu à época da fundação, entendendo a História como instrumento para se entender o presente e projetar o futuro? Sabemos da importância da viabilidade económica que permita uma recuperação e manutenção sustentada do edifício. Mas se não sabemos o que queremos para o resto dos espaços como se podem negociar contrapartidas de forma assertiva com os eventuais interessados na exploração da unidade hoteleira? Quem deve/pode definir essas premissas? Os alcobacenses, a Câmara Municipal, a Direção do Monumento, a DGPC (Direção-Geral do Património Cultural)? Do cidadão comum devemos esperar o interesse e a exigência para que pelo menos o assunto não caia no esquecimento antes mesmo que caia o edifício. Estou certo que os alcobacenses abraçarão esta causa e porque não com um efetivo abraço ao Mosteiro?

Comentários (1)

  • Nuno Félix - 13 de Dezembro de 2013, 15:22

    Excelente reflexão, num momento em que cada vez mais, aquilo que a todos pertence apenas serve para fruição de alguns, é necessário não perder o norte nem trocar valores e história por um punhado de euros, que sabemos todos, não reverterão para a comunidade à qual pertence o Mosteiro.

Outras notícias em Opinião

  • O Vaticano e as divindades pagãs

    A ideia de construir um museu nasceu há mais de cinco séculos na cabeça de alguns Papas. A palavra «museu» não existia e, menos ainda,…

  • Princípio da solidariedade

    O princípio da solidariedade é o último dos seis consagrados no Compêndio da Doutrina Social da Igreja (CDSI): ele sintetiza de algum modo os restantes,…

  • O Inferno, o Céu e a oração do rico

    O mês de novembro é dedicado aos mistérios do encontro ou desencontro com Deus. Pode ser um encontro feliz, inesgotável e exultante, ou pode ser…

  • Princípio da participação

    Cada um de nós faz parte de uma família; e, em maior ou menor grau, faz parte de uma ou mais associações, outras instituições, empresas,…

  • O valor do Património Cultural

    “Se destruís o passado, destruís a alma. Ficais sem raízes para corrigir o futuro. Os homens foram notáveis pelo que fizeram de notável”. Palavras colocadas…

  • Princípio da subsidiariedade

    O princípio da subsidiariedade baseia-se na dignidade e autonomia de cada pessoa e família, defendendo que as diferentes organizações privadas, com ou sem fins lucrativos,…

  • Destino Universal dos Bens 2166

    Este é o terceiro princípio fundamental da doutrina social da Igreja (DSI), depois da igual dignidade humana e do bem comum abordados em artigos anteriores…

  • A festa da alegria

    Nestas últimas semanas, a Igreja lançou, em todo o mundo, um projecto renovado de evangelização. Este mês de outubro foi declarado um Mês Missionário Extraordinário,…

  • Rasoamanarivo

    A 7 de setembro, durante a viagem a Moçambique, Madagáscar e República da Maurícia, o Papa fez questão de visitar o túmulo de Victoire Rasoamanarivo,…

  • Francisco e Bento XVI publicam um livro em parceria

    Os autores são Papa Francisco e Bento XVI, o título é “Não façam mal a nenhum destes pequeninos. A voz de Pedro contra a pedofilia”.…