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Cónego Serrazina – A crise vista em… 1989

Conforme O ALCOA noticiou, em 12 de julho, decorreu no dia 8 o lançamento do livro «Cónego Serrazina». Alguns textos incluídos no livro são fundadores da moderna ação social da Igreja; na verdade, a partir de meados dos anos 70, o P. Serrazina, D. António Marcelino (Bispo Emérito de Aveiro), D. Manuel Martins e outras pessoas contribuíram decisivamente para a moderna conceção, organização e funcionamento daquela ação social. Infelizmente, a evolução vem sendo bastante lenta mas, para todos os efeitos, ficaram bem lançadas as sementes do futuro.

Figura também no livro, o texto da conferência proferida num congresso da Universidade Lateranense, em Roma, no mês de maio de 1989. A conferência tem por título: «Caridade e Política na Organização do Povo Português». Nela se descrevem alguns aspetos da situação sociopolítica no país e se expõem algumas linhas de orientação recomendáveis, à luz da doutrina social da Igreja.

Premonitoriamente, afirma-se aí que «a sociedade portuguesa tem sofrido nos últimos anos, e ainda sofre, uma profunda crise económica, social e política». A crise «tem como consequências gerais a perda de identidade cultural e civilizacional, a desmobilização das gerações mais jovens e o enfraquecimento das referências éticas, a falta de esperança e o individualismo que faz esquecer a solidariedade e o bem comum».

O texto prossegue com a indicação de algumas causas da crise e esboça, mais adiante, umas tantas linhas de orientação recomendáveis para a ação da  Igreja. Refere «o apelo à austeridade e testemunho de vida empenhada no bem comum», o «diálogo pluralista no seio da Igreja e desta com o mundo, no sentido de descobrir os necessários consensos sobre as diversas políticas que dizem respeito ao povo português e sua integração no mundo». Tudo isto – e muito mais – não foi escrito em 2008 (suposto início da crise atual) nem nos dias de hoje, mas sim em 1989…

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