Opinião

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Confiar na mudança

Nunca como hoje fez tanto sentido analisar o que se esconde por detrás da resistência à mudança, bem como as sérias consequências que podem surgir neste processo.
Já nos primórdios do mundo industrializado, as grandes linhas de produção deparavam-se com sérias resistências à alteração de método de trabalho. Justificava-se para o efeito que a reaprendizagem seria um processo de dificuldade superior, comparativamente à aprendizagem inicial. Este exemplo do mundo das organizações aplica-se integralmente às grandes decisões atuais: a falta de participação e de comunicação aos cidadãos das principais medidas anunciadas sobre assuntos fundamentais na vida do país.
Penalizar sistematicamente o mesmo grupo de indivíduos por uma fratura exposta há demasiado tempo é desconhecer as gravíssimas consequências que podem advir de tamanha injustiça. Um conjunto de decisões tão penalizadoras, unilaterais, como aquelas a que temos assistido e que se espera terem continuidade, pode transformar negativamente o empenho funcional futuro de toda uma geração. De forma simples, poderia enumerar alguns motivos para que tal aconteça: a sistemática quebra das promessas que nos são dirigidas comprometem a confiança nos decisores, criando um sentimento de injustiça; a comunicação difusa e injustificada perante as medidas que se anunciam, potencia uma rutura psicológica nas expetativas geradas.
Procurar soluções fora dos valores, crenças e símbolos da cultura de um povo é alargar a raiz da resistência à mudança. A coerência nas decisões é hoje uma necessidade. Patrocinar o alívio de uma instituição financeira, sacrificando o equilíbrio das famílias, conduz invariavelmente ao aumento das barreiras à mudança. A melhor forma de agir perante o fenómeno em causa seria levar em consideração que os sucessivos erros de hoje podem tornar-se, afinal, numa rutura de confiança definitiva. Esse pode tornar-se no futuro num custo irreparável, tendo em conta o que nos está a ser exido hoje.

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