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Em defesa duma escola pública, o Externato Cooperativo da Benedita

O pior que pode acontecer ao Externato Cooperativo da Benedita é deixar-se consumir nas lutas partidárias dos que querem servir-se dele para a chicana política local ou nacional.

Alguns dos que agora, a propósito duma norma que aparentemente nem sequer o afeta, se arvoram aguerridamente em seus defensores, não tugiram nem mugiram quando o governo anterior reduziu, por duas vezes, o financiamento às escolas com contratos de associação.

Outros, que têm travado uma luta sem quartel (ou do quartel da FENPROF) contra o financiamento ao ensino particular e cooperativo e promovem a afixação de cartazes à porta do Externato da Benedita reclamando da aplicação dos seus impostos em tal financiamento vêm agora perorar que, afinal, o ECB é um caso particular e deve ser considerado uma exceção. Para ficarem bem vistos, guardam sempre uma lágrima de crocodilo hipócrita pronta a saltar quando os professores são despedidos.

Nem uns, nem outros querem saber do Externato da Benedita para nada, a não ser para a defesa dos seus interesses políticos ou de classe.

As escolas públicas não são, por definição, melhores nem piores do que as escolas particulares ou cooperativas. E muita da verborreia que por aí grassa a favor da escola pública não é mais do que a simples defesa sindical dos postos de trabalho de quantos nela trabalham. Como se os postos de trabalho dos funcionários públicos fossem mais dignos de defesa do que os dos outros trabalhadores.

Não ponho em causa a necessidade de rever a rede de estabelecimentos de ensino financiados pelo Estado.

Mas se o que está em causa é a defesa da escola pública, é altura de afirmar bem alto que não há em Portugal escola mais pública do que o Externato Cooperativo da Benedita. É pública, porque criada, há 50 anos, pelo esforço duma população que, reconhecendo a importância da formação dos seus jovens e não tendo nenhuma escola por perto, meteu mãos à obra e a construiu a suas expensas. É pública, porque tem na base da sua constituição uma cooperativa, com mais de mil cooperadores, sem fins lucrativos, a que todos podem aderir, cujos cargos sociais são exercidos de forma gratuita. É pública, porque todos os excedentes do exercício financeiro, quando os houve, foram sempre investidos na melhoria das instalações e dos equipamentos, com o único objetivo de prestar um serviço público de melhor qualidade. É pública, porque está, genuinamente, ao serviço da comunidade que a instituiu.

Um qualquer governo que pusesse em causa o regular funcionamento duma escola deste tipo agiria de forma grosseira contra o interesse público e mostraria uma absoluta falta do mais elementar bom senso. Não só porque ela constitui uma experiência única e genuína de satisfação das necessidades educativas da comunidade, mas também porque sai manifestamente mais barata ao erário público do que as escolas estatais.

Compete à direção da cooperativa, à direção do ECB, à comunidade educativa e aos beneditenses em geral a defesa da sua escola. Com uma estratégia própria, que não a dos seus defensores de ocasião, e demarcando-se claramente de instituições com interesses distintos dos do ECB, como a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo. Uma estratégia que restaure os princípios cooperativos e a ligação afetiva entre a escola e a comunidade, que afirme claramente a sua independência perante grupos partidários e interesses privados, que promova e evidencie a qualidade do ensino que nela se pratica, que contribua para que os que nela trabalham – professores, alunos e funcionários –  se sintam motivados e orgulhosos da sua escola.

Comentários (1)

  • Goreti Honório - 13 de Maio de 2016, 11:54

    Sou defonsora acérrima do direito de qualquer pessoa à educação, à igualdade nos direitos à educação, ensino financiado pelo estado onde não existe resposta pública é um dever, um direito à educação. Financiamento a escolas privadas onde existam condições em escolas públicas não me parece correto. Vejo e entendo o ECB como um direito à educação da população local e onde os seus profissionais fazem um excelente trabalho.

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