Memória

Ermida do Espírito Santo na Maiorga

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A ação construtiva do rei D. Manuel I estendeu-se, para além do Mosteiro, também ao conjunto dos coutos alcobacenses. Na carta de 7 de julho de 1519, o monarca dá prioridade à execução das empreitadas das igrejas, em detrimento do claustro e de outras obras a realizar no Mosteiro. Esta atitude inseria-se na política geral de reorganização do Reino, empreendida por D. Manuel. O rei pretendia conceder novos forais a todas as populações dos coutos.
Neste âmbito destaca-se a construção da Ermida do Espírito Santo, na Maiorga. Desta Ermida, antiga Misericórdia afeta à de Alcobaça, resta um portal de finíssimo recorte. Partindo de bases de complexo detalhe, dois cordões emolduram as ombreiras relevadas em rosetas e caneluras. Os capitéis são inspirados no lavor da passamanaria. Na face interior do portal, quatro “atributos” do Espírito Santo indicam a porta da plantação do Paraíso.
Foram efetuadas obras de restauro no exterior e interior do portal assim como noutras partes da capela que foram concluídas a 6 de junho de 2010. No entanto, “estamos com o problema relativo à pintura da porta, que já foi pintada três vezes, e que não conseguimos manter por causa do sol e da chuva”, explicou a presidente de Junta de Freguesia da Maiorga, Rosa Domingues, adiantando que se está à “procura da melhor resolução para o problema”.
A historiadora Ana Margarida Martinho, defende que “esta ação de restauro deveria também acontecer noutras igrejas dos coutos de Alcobaça com portais manuelinos, dado que constituem uma marca fundamental da presença da gramática decorativa manuelina nas terras de Alcobaça”. E, “por isso, fazem parte da nossa identidade cultural”, conclui a historiadora e técnica do Mosteiro de Alcobaça.

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