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Estátuas

Há tempos que não passeava na zona pedonal do rio Alcoa, entre a rotunda das Freiras e a ponte junto à Biblioteca Municipal. Surpreendeu-me a beleza dos expositores, ao longo do percurso camoniano, com cerâmica da região e glosando o tema do amor de Pedro e Inês, cantado por Camões nos Lusíadas, “Estavas, linda Inês, posta em sossego, De teus anos colhendo doce fruito…” Uma boa ideia. E como é importante ter boas ideias; depois torna-se necessário que elas sejam exequíveis; por fim, é só pô-las em prática. Ora, Alcobaça tem falta de estátuas. Uma ideia (boa? Exequível?) seria colocar uma estátua ali próximo da rotunda, no alto da escadaria que conduz à Rua D. Pedro V. De que figura? Sei lá, poderia ser do cardeal-rei D. Henrique, que deixou a abadia de Alcobaça para ocupar o trono, depois da desgraça de Alcácer-Quibir; poderia ser do papa Alexandre III, que reconheceu em 1179 o reino de Portugal e o rei D. Afonso, fundador do mosteiro; poderia ser de outra qualquer figura carismática local. É certo que D. Afonso Henriques tem já uma estátua, lá no alto do mosteiro, sobranceira à praça que tem o seu nome. Mas as pessoas nem dão por ela, tão alta que fica. Que tal fazer-se uma réplica dessa estátua e coloca-la cá em baixo, na praça?! É que a estatuária é vital, nas cidades. Veja-se o exemplo das Caldas da Rainha, com múltiplas estátuas, no parque D. Carlos e noutros locais. Atente-se também no caso de Rio Maior, com estátuas em quase todas as rotundas e no jardim do centro da cidade. A propósito, vamos ter um hotel de charme, 5 estrelas, na zona histórica, ali bem próximo de uns pardieiros miseráveis, em plena Rua D. Pedro V. A propriedade privada é isso mesmo: privada. Mas… o proprietário, ou proprietários, com um pouco de amor à terra, poderiam desistir definitivamente da ideia de ali construir tudo o que for além de um andar. Bem têm andado as entidades competentes em não permitir, neste local, qualquer tipo de especulação imobiliária. O dinheiro não é tudo na vida. A magnanimidade é também uma riqueza.

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