Opinião

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Igreja, co-promotora de desenvolvimento

«O Alcoa», na edição de 6 de Agosto, recordou a inauguração (dedicação), há sessenta anos, da então chamada «Igreja Nova da Benedita». E transcreve a seguinte afirmação do atual Pároco, P. Gianfranco Bianco: «Foi com esta igreja que teve início o grande desenvolvimento económico, através do P. Inácio Antunes, que teve uma visão sobre a vila fora do vulgar». Deste modo, a Paróquia foi verdadeiramente promotora de desenvovimento, para o qual contribuíram vários outros dinamismos, tais como: a vitalidade das populações dos diferentes lugares da freguesia; a cooperação da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal; e, mais tarde, a ação da Equipa de Desenvolvimento Comunitário e da Cooperativa de Ensino e Cultura.
A vitalidade das populações foi porventura o dinamismo fundamental, que o P. Inácio Antunes soube liderar respeitando-o e estimulando-o. Essa vitalidade, mais visível nas diferentes campanhas pró-igreja, baseava-se na economia familiar, bem como noutras atividades e relacionamentos tradicionais. No que se refere à cooperação da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal, talvez se possa afirmar que foi a partir dela que as populações tomaram consciência de que a Câmara existia para as servir. Mais tarde, nos anos sessenta, a Equipa de Desenvolvimento Comunitário e a Cooperativa de Ensino e Cultura souberam aproveitar e respeitar os dinamismos que vinham de trás; souberam também reconhecer que o agente de desenvolvimento por excelência não eram elas próprias mas sim cada pessoa, família, grupo, as populações no seu todo e as sociedades comerciais que entretanto se constituíram.
Hoje, volvidos sessenta anos e mergulhados numa crise profunda, ainda não vencida, seremos capazes de incitar antigos e novos dinamismos, a favor de um desenvolvimento integral e sustentável? Isso poderá acontecer na Benedita e em todo o Concelho?

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