João Vinagre. “Fui procurar os meus ascendentes paternos e decidi fazer o mesmo para toda a freguesia”

Catarina Reis
Jornalista

João Vinagre nasceu na Sancheira Grande (Óbidos), em 1945. Foi viver para a Benedita aos 6 anos, onde cresceu. Com 10 anos, foi para o Seminário de Santarém, seguindo-se Almada e Olivais. Formado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, sempre teve interesse pelas suas raízes e pela história da sua terra. Publicou recentemente “A Benedita do Século XVII no Registo Paroquial”. Um trabalho minucioso que lhe levou muitas horas de pesquisa sobre todos os batismos, casamentos e óbitos do século XVII da freguesia.

PERFIL

Nome: João Lourenço Leitão Vinagre
Ano de Nascimento: 1945
Naturalidade: Óbidos
Atividade profissional: Engenheiro civil reformado

O que o motivou a escrever esta obra?
Estou reformado e fui procurar os meus ascendentes paternos; cheguei a 1635, o máximo que se consegue na Benedita. Após descobrir-los, decidi fazer o mesmo com todas as pessoas da freguesia. Ao fim de dois anos e coincidente com os 600 anos da ermida da Benedita, resultou esta publicação, que penso que terá interesse para os que gostam da história da terra.
A Benedita tem uma história interessante, relacionada com as origens do povoamento dos antigos Coutos de Alcobaça, por populações vindas do Norte e das regiões de Coimbra e Leiria, pois o “lugar” da Benedita era uma terra despovoada, onde em 1758 existiam apenas cinco moradores, incluindo o pároco e o sacristão. A publicação contextualiza esta realidade com uma introdução, fazendo-lhe um enquadramento no século XVII, incluindo as freguesias ao seu redor.


Que memórias tem da Benedita de antigamente?
Tenho uma memória muito curiosa. Em 1943, ainda faltavam muitos anos à Benedita para ter eletricidade, o meu pai queria fazer uma carpintaria, mas não havia eletricidade na terra. Foi à CP, comprou uma locomotiva a vapor, tirou-lhe as rodas e tinha como fonte de energia a lenha da própria fábrica. Era uma carpintaria e serração mecânica. Às oito da manhã e às cinco da tarde, puxava-se um “cordelinho” da máquina, para sair o vapor e ouvia-se aquele apito característico, muito alto. O som era o relógio da terra e todos se guiavam por ele. Nessa altura, as pessoas não tinham telefone, não havia tantas distrações, mas convivia-se muito mais. A vida é completamente diferente agora. Na Benedita, destacavam-se dois tipos de profissões: os sapateiros e os canteiros da zona da serra, que não tinham ordenado fixo, ganhavam à peça. Lembro-me que, quando andava na escola, havia 148 oficinas de sapateiro na freguesia. Outro dado importante foi o impulsionamento da pequena indústria da terra, nestes dois setores, os sapatos e a cantaria, embora esta última surgisse anos mais tarde. Esse crescimento aconteceu através da iniciativa de desenvolvimento comunitário e pela criação de cooperativas, como o próprio surgimento do Externato Cooperativo da Benedita, que começou com 22 alunos à noite, tendo chegado a ter 1.600.

Saiba mais na edição impressa e digital de 25 de agosto de 2022.

Catarina Reis
Jornalista

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