Morreu?

Ana Caldeira
Diretora do jornal O ALCOA

Partiu um homem de Deus, um homem bom.

O Padre Francisco Cosme serviu várias comunidades da vigararia Alcobaça-Nazaré. Lembro-me de, passado alguns anos de o P. Cosme ter chegado à Benedita, ouvir dizer que ele tinha trazido um novo modelo de dinâmica paroquial que se adaptava bem a uma sede de freguesia com vários lugares à sua volta. Logo me pareceu que isto estava de acordo com a Nova Evangelização que pedia o Papa João Paulo II, uma evangelização com “novo ardor, novos métodos e novas expressões”. Eu era jovem, sempre gostei de inovações e, assim, admirei-o ao longe, quase sem o conhecer. Sim, porque o Evangelho é para sempre e as formas são para se atualizarem. De facto, ainda hoje não compreendo, por exemplo, por que, em muitas celebrações, o repertório de cânticos é o mesmo há décadas e não se atualiza em parte, atendendo às novas gerações. Esse foi o 1.º ponto que marcou o P. Cosme na jovem que fui: ter ensaiado um novo modelo de organização paroquial participada e mobilizadora. Muitos anos depois, o P. Cosme foi meu pároco e – que melhor posso dizer dele? – era um homem de Deus: são, verdadeiro, de paz e de bem. Guardarei dele para sempre gratas memórias e exemplos muito edificantes.

Ora num tempo em que, em Portugal, foi aprovada a eutanásia; quando depois do Ministério de Educação, é agora o Tribunal Administrativo que ordena a dois excelentes alunos para retrocederem dois anos na escola por os pais alegarem objeção de consciência (se a objeção de consciência não é para matérias de consciência, é para quê?) relativamente à pseudodisciplina de «Cidadania»; num período em que os média falam de uma lei «cruel» que reduz, repito, reduz o número de semanas para a prática de aborto no Texas, com Joe Biden a prometer que a sua Administração irá lutar pelo aborto legal até ao momento do nascimento; quando este e o último presidente dos EUA, e tantos políticos nossos e alheios não se recomendam e nos resignamos, cito em homenagem ao bom P. Cosme o poeta colombiano Muñoz Feijoo:

“No son los muertos los que en dulce calma/ la paz disfrutan de su tumba fria,/ muertos son los que tienen muerta el alma/ y viven todavia”.

Ana Caldeira
Diretora do jornal O ALCOA

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