Opinião

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Não foi só o muro que caiu!

Quando a natureza nos mostra a sua força pouco podemos fazer. Todavia, tal não deve demitir-nos de assumir tudo o que pode ser feito e, neste sentido, temo que a queda do muro junto à ponte do Alcoa possa gerar algumas confusões.
Dada a importância do local para a Cidade, a reconstrução arrancou sem demora. Mas esse é apenas o mínimo exigível e é aqui que se pode gerar alguma confusão já que, convém não esquecer, a enxurrada teve muitas outras consequências.
No jardim da Câmara Municipal, recentemente inaugurado, o mar de lama e a força das águas causaram o mesmo de sempre. A piorar, um dos argumentos mais utilizados para justificar a intervenção no jardim era o de que ficariam resolvidos os problemas de escoamento das águas pluviais para aquela zona.
Depois de mais de 2 milhões de euros investidos, o resultado do argumento ficou à vista: na primeira chuvada a sério, tampas a saltar e tudo alagado!
Pelo que insisto em perguntar, reforçado pela falácia do argumento, se o dinheiro investido não teria sido muito mais bem utilizado se os investimentos fossem decorrentes a uma estratégia de desenvolvimento que tivesse identificado áreas e locais verdadeiramente necessitados, porventura muito mais úteis às populações e a requererem menor investimento.

E agora? Agora, o que está feito, feito está! Pelo que, resta aproveitar a ocorrência para finalmente olharmos atentamente para os rios que nos dão nome e dar-lhes a dignidade que merecem.
Se os Monges aqui ficaram foi porque logo eles, e há tantos séculos, perceberam a sua importância.
Cingindo-nos à Cidade, recuperar o espelho de água junto ao passeio pedonal (represando o Alcoa junto à Alimentícia, agora Biblioteca Municipal) ou recolocar uma nora junto à saída do túnel do Baça (no largo da Rua 16 de Outubro), opção que exigiria uma intervenção mais delicada, são apenas duas ideias para o que pode ser feito. E muitas outras existirão.
Limpá-los? Se for só isso, estamos outra vez a falar de mínimos e a resumir esta questão à estética da sua limpeza e manutenção, o que é elementar que já devia estar a ser feito, fosse por quem fosse.
Para mim, o que é verdadeiramente importante é desenvolver uma estratégia que permita devolver os rios à Cidade, evitando que voltem ao estado em que se encontravam e integrando-os na nossa vida.
Se não, como no jardim, gasta-se e pronto, já está!

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