Opinião

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O concelho merece mais

O período que vivemos exige uma profunda reflexão sobre como ultrapassar as dificuldades. Nas Autarquias, essa reflexão deve resultar numa estratégia capaz de atrair fundos públicos, turismo, eventos e o investimento possível, fixando população e proporcionando-lhe qualidade de vida.
São conhecidas muitas das razões que conduziram à atual situação de crise, como a ausência de estratégias, investimentos mal ponderados e pior executados e a situação internacional. Este conhecimento convida à reflexão antes da ação, mas os últimos anos caracterizaram-se por um inaceitável vazio estratégico sobre como sustentar o desenvolvimento do concelho.
Neste vazio, ressalta a desfaçatez dos gastos sem critério. Por exemplo, enquanto o Centro Escolar de Alcobaça continua com tanto por concluir, vemos gastar mais de dois milhões de euros na intervenção nos espaços contíguos à Câmara Municipal e Palácio da Justiça.
E que dizer das obras de cariz marcadamente eleitoralista a que vamos assistindo neste último mês e que, aparentemente, continuaremos a assistir até ao momento das eleições?
Tudo isto é agravado caso se
confirme a perda de tantos fundos comunitários e o recurso a fundos da própria câmara, num remendar de situações que uma utilização adequada e atempada das disponibilidades poderia teria evitado.
Obras avulsas, mais não servem do que interesses pontuais, tentando fazer esquecer o imobilismo de todo um período de governação, quer se fale em cultura, turismo, economia ou ensino. Por exemplo, alguém sabe o que se pensa fazer com um dos maiores Agrupamentos Escolares do país?
Só o vazio estratégico em que vivemos fará entender o recurso à fórmula do despesismo e ao despropósito das decisões pontuais, eleitoralistas e, assim sendo, esbanjadoras, feitas em tempos de tanta dificuldade para as pessoas e cujos resultados todos conhecemos, sentimos e suportamos pela via dos impostos.
O nosso concelho tem de ter muito mais. Desde logo, refletindo sobre tantos dos aspetos a que já nos referimos pela sua ausência e que devem ser desenvolvidos para permitir construir uma visão estratégica que estabeleça prioridades, aproveitando todos os contributos e todas as oportunidades.

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