Pobres dos pobres

Ana Caldeira
Diretora do jornal O ALCOA

Problemas nacionais, impactos locais, sofrimentos pessoais.

Qual pandemia?! Não é a razão. Antes da pandemia, uma familiar idosa foi para o Hospital de Leiria com uma fratura exposta. No dia seguinte, telefonaram a dizer que ela não estava internada porque não havia vaga. Mas para onde ir naquele estado? Ficou. Em sofrimento. A dormir em macas nos corredores até à cirurgia cinco dias depois.

Qual situação pontual?! As urgências de Leiria e Caldas fecham dezenas de vezes. E qual obstetrícia?! Em abril, acompanhante na urgência no Hospital de Alcobaça, vi pessoas (e não grávidas!) chegarem da Marinha Grande porque a urgência de Leiria estava fechada. Se fosse preciso outros meios de diagnóstico, seguiam afinal para Coimbra.

Em setembro, estive no Hospital de S. José: que instalações! Tive vergonha do meu país.

Mas o Governo acabou foi com as PPP, criadas por Correia de Campos, mesmo funcionando melhor e custando menos (Tribunal de Contas dixit) . E agora médicos rescindem contrato e essas urgências de Braga ou de Loures encerram também. Sofram os pobres ou os doentes urgentes a bem da ideologia da senhora ministra! Sofram os que não podem escolher, pois como Marta Temido disse ao jornal Sol em 2016: “os meus pais foram operados no privado por causa dos tempos de espera”. Ao contrário do antecessor, desde o início, ouvi à ministra respostas confrangedoras. Sobre uma demissão num hospital: “é uma situação prevista na lei”. Ou “em caso de erro médico, enterram-se os mortos e socorrem-se os vivos”. Fiquei perplexa com a sua recondução em 2019. É muito improvável dizer disparates e acertar na prática. Em janeiro de 2021, no pior da pandemia, justificou na RTP que as escolas estivessem ainda abertas: “olhe porque se tivesse a gentileza de me convidar para a semana, eu depois não teria nada para lhe dizer”. Muitos dos entusiastas «defensores» do SNS têm subsistemas ou seguros de saúde. Tenho ADSE, mas sou cristã e lamento muito as condições de saúde dos mais pobres.

Ana Caldeira
Diretora do jornal O ALCOA

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