Por quem os sinos dobram

Afonso Luís
Bancário aposentado

É este o título de um livro, um clássico da literatura mundial, da autoria de Ernest Hemingway. Os sinos dobram (tocam) nas cidades, nas vilas, nas aldeias de quase todo o mundo desde o ano 604, data em que o papa Sabiniano determinou o seu uso nas igrejas. E foi desde logo criado um dístico em latim, que rezava deste modo: “Laudo deum verum, plebem voco, congrego clesum, defunctus ploro, pestem fugo, festa decoro” o que significa “Louvo o verdadeiro Deus, chamo o povo, convoco o clero, choro os mortos, afugento a peste, alegro as festas”.

A partir desta data, o ano 604, os sinos nas igrejas passaram a ser uma constante companhia dos habitantes, transmitindo-lhes uma verdadeira alegria de viver. São mesmo considerados pela Igreja Católica como peças sagradas. É evidente que os sinos tocam no Mosteiro de Alcobaça e em todas as igrejas das redondezas, mas em Turquel… alto lá! Em Turquel, os sinos não podem tocar. Alguém, uma única pessoa (estou à vontade, pois ignoro quem seja) pretendeu proibir o toque dos sinos da igreja matriz, à luz da lei antirruído, apenas porque se sentia incomodado com o som do relógio da torre, depois das oito horas da manhã. Parece mentira, mas é verdade. E o pobre do pároco teve de ouvir, dessa pessoa, por mais de uma vez, palavras de protesto bem pouco amistosas. Até a autoridade policial foi chamada a intervir, calcule-se! Há já uma forte indignação coletiva e um movimento popular imparável, até nas redes sociais, contra esta prepotência, o que aliás não é habitual em Turquel, dado que as pessoas costumam aceitar os maiores disparates, de cabeça baixa. Neste caso, porém, há protestos, há movimentos, o que significa que os habitantes não se submetem ao arbítrio ridículo de uma só pessoa.
Mas os sinos vão tocar!

Afonso Luís
Bancário aposentado

Uma resposta

  1. Absolutamente, de acordo que os sinos de Turquel voltem a tocar, embora aceite uma interrupção durante a noite. O título da obra de Hemingway que li na adolescência, faz-me lembrar os meus pais e todos os familiares Sousa Lopes e Antunes, por que “dobraram” em hora de dor e tristeza, em que passaram a mensagem aos turquelenses!

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