Trabalho mas com direitos

É indiscutível que o trabalho desempenha um papel de essencial relevância no homem social.
O trabalhador é visto como pessoa responsável, honesta, íntegra e comprometida com a sociedade e quem não trabalha (isto não é uma generalização), acaba por ser reputado pelo amigo louro e de olhos azuis, como o oposto. No entanto, e algo paradoxalmente, algumas pessoas que subiram na vida a pulso, são vistas com certa reserva pelos demais cidadãos que questionam como, quando, onde e a quem a pessoa ganhou, roubou, subornou ou sonegou para aí chegar tão alto ou tão depressa. A sociedade portuguesa aceita o sucesso com limites, que ultrapassados (neste momento de desconforto generalizado), leva a questionar a integridade, honestidade e o comprometimento do cidadão, com ela mesmo. Porém, ainda que o trabalho ajude uma pessoa a tornar-se responsável e independente, a imagem de homem trabalhador ainda tem e terá grande impacto aos olhos da sociedade deste Portugal que somos. A coberto do acordo com a Troika, o Governo, tal como o anterior, parece admitir, não rejeitar pelo menos, a desvalorização do trabalho, seja através da diminuição (real) dos salários, seja através do aumento da carga horária, seja através da redução das indemnizações, em suma, um empobrecimento que irá ganhar uma dimensão mais significativa com os cortes nos Subsídios de Natal e de Férias.
Empobrecimento para quem trabalhou toda a vida, estabelecendo confiadamente um contrato com o Estado, e que vê agora esse contrato não ser cumprido, com argumentos que não compreende. Triste sorte a nossa!!! Não, não me reputo um incansável e empedernido esquerdista, mas repudio esta ideia que tem justificado e possibilitado, através de um conjunto de medidas de austeridade, uma brutal desvalorização do trabalho em prol dos interesses do capital financeiro e do aumento, de facto, da exploração.
E, entretanto, vamos continuar a ouvir doutoralmente que é preciso trabalhar mais como a formiga que não a cigarra, que vivemos acima das possibilidades e que é necessário ajustar salários.

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