Ucrânia

Ana Caldeira
Diretora do jornal O ALCOA

Saudemos a mobilização de cidadania e a condenação unânime pelos políticos da nossa região.

Que sentir senão horror perante a destruição gratuita de milhões de vidas, sonhos e bens, em favor do ego de Putin, que mata e arrasa para alargar aquele que é de longe o maior país do mundo? Que sentir senão admiração crescente e merecida pelo presidente Zelensky e o seu povo?

Perante isto, a nossa região mobilizou-se de forma assinalável com donativos e iniciativas. Esperemos que o mundo ocidental continue a apoiar as sanções económicas contra a Rússia mesmo quando nos pesarem no bolso.

As Assembleias Municipais de Alcobaça e da Nazaré aprovaram, por unanimidade, moções de condenação da invasão da Ucrânia pela Rússia. Esperemos que esta tragédia nos faça também, a nível nacional, valorizar e melhorar a nossa democracia.

Infelizmente, esta terça-feira, os deputados do PCP votaram contra e os deputados do Bloco de Esquerda abstiveram-se na resolução do Parlamento Europeu de condenação da invasão à Ucrânia. Já há duas semanas assim tinham votado na ajuda financeira àquele país.

Na manifestação em Lisboa de apoio à Ucrânia, lia-se em inglês num cartaz “Querido Portugal, sempre que as pessoas da Europa de Leste veem o símbolo da foice e martelo, isso dói”. É verdade que, no nosso país, os mais velhos viveram não uma ditadura de extrema-esquerda, mas de extrema-direita. Mas, se tivermos o cuidado de olhar à volta, não reconheceremos o perigo dos extremismos quer de direita, quer de esquerda?

Será que é só a mim que me assaltam várias questões? As linhas vermelhas são traçadas para ambos os lados? Não deve um primeiro-ministro indigitado incluir todos os partidos com assento parlamentar nos seus contactos institucionais? Não devemos dialogar com todos? Mas devemos governar com todos? Deve um partido, para subir ao poder, aliar-se a forças políticas, sejam elas de extrema-direita ou de extrema-esquerda, que se opõem ao modo de vida ocidental e expressam apoio por ditaduras? Linhas vermelhas? De verdade?

Ana Caldeira
Diretora do jornal O ALCOA

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