Opinião

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A nossa herança gastronómica e o tempo presente

Se não vivêssemos tempos tão difíceis, fruto de uma pandemia, estaríamos por esta altura a inaugurar a Mostra Internacional de Doces e Licores Conventuais no seu espaço próprio – o Mosteiro de Alcobaça. A doçaria conventual é uma marca identitária do concelho, assim como outros produtos gastronómicos. Constitui um património cultural imaterial, transmitido de geração em geração, considerado parte integrante da nossa natureza e da nossa história.
Somos herdeiros de uma paisagem diversificada, entre a serra e o mar, que permitiu ao longo de séculos as culturas da oliveira, da vinha, da fruta. É inegável a história agrícola do concelho de Alcobaça, muito associada à sua origem monástica. No passado, as propriedades rústicas (granjas) foram trabalhadas pelos monges conversos, a vários níveis, com base numa metodologia de avaliação e desenvolvimento das áreas propícias à agricultura, ao pascigo, ao mato, à floresta. Havia também o gosto, quer no Mosteiro de Alcobaça, quer no Mosteiro de Coz, na produção de doces e confeitos, vinhos e licores.
Neste sentido, os monges cistercienses muito nos deixaram. A excelência da fruta e de outros produtos, como os hortícolas, o pão, a doçaria e a ginja, fazem parte de uma memória que importa preservar, com vista a uma permanente recriação.
Por isso, embora a Mostra Internacional de Doces e Licores Conventuais não se possa realizar nos moldes tradicionais, é importante continuarmos a valorizar esta herança, deixada pelos nossos antepassados.
Acreditar no vasto património gastronómico das terras de Cister incute em nós um sentimento de identidade, de pertença, que nos aproxima uns dos outros, mesmo distantes fisicamente, neste tempo de pandemia.

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