Casa do Relego: desaparecimento e história

Na vila de Alfeizerão, até há pouco tempo, existia uma casa do Relego. Porém, os seus proprietários decidiram demolir o que restava do edifício. Com isto, a junta de freguesia ou até mesmo a câmara municipal não poderiam intervir. Assim se perdeu mais uma peça do património que chegou até aos nossos dias. Mas o que era a Casa do Relego?
O Mosteiro de Alcobaça detinha vários direitos e um deles era o monopólio do relego. Nos coutos de Alcobaça, este direito seguia as regras do foral de Santarém. Nos três primeiros meses do ano, regra geral, só o mosteiro ou algum rendeiro, podiam vender vinho na taberna. Durante a permanência do monopólio apenas poderia existir em cada localidade uma taberna de porta aberta. Em Alfeizerão, seria esta taberna, construída no século XV, que se localizava na rua do Relego, que tinha permissão para vender o vinho durante o período do relego.
No entanto, também existiam regras para quem infringisse este direito sobre a venda dos vinhos. Segundo o foral de Santarém de 1341, quem cobrasse o monopólio, na primeira e na segunda vez, teria de pagar 5 soldos; contudo, na terceira vez, o vinho seria vertido e todos arcos das cubas seriam partidos.
Com o término do período do relego, os moradores já poderiam vender o seu vinho. Esta situação fazia com que o Mosteiro conseguisse vender o excesso da sua produção vinícola na melhor altura e nas melhores condições. Relembramos que na Idade Média, o vinho não ficava em boas condições durante muito tempo.
Por fim, deixamos uma questão para a reflexão da comunidade alcobacense. Se a Casa do Relego de Alfeizerão fosse património do Estado, será que teria tido o mesmo destino?

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