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Banner - OPINIAO Iris Guerra_psicologa

Namoro na adolescência II

“Novas tecnologias – desafios à comunicação e qualidade afectiva das relações”
Se és adolescente, certamente já viste e usaste estas siglas, Amt, Adrt, Gmdt, Ily, Ly ou Qt, não? Sabes que correspondem pela mesma ordem a “Amo-te”, “Adoro-te”, “Gosto muito de ti”, I love you, Love you ou “Quero-te”.
É muito mais fácil escrevê-las num teclado cintilante do que dizê-las de forma tímida ou cintilante, em frente a quem se gosta. Mas nem sempre o que é mais fácil é a melhor solução.
Sabemos hoje que a utilização das novas tecnologias, da simples sms até às redes sociais mais utilizadas pelos adolescentes, podem ter impacto na qualidade das relações. As novas tecnologias permitem-nos trocar informação mas não nos ensinam a comunicar. O namoro enquanto relação cuidada e autêntica, necessita de competências de comunicação e emoções que permitam expressar o outro real e a nós, na plenitude.
A revolução causada pelo aparecimento das primeiras redes sociais, ajudou a juntar muitos casais mas, as novas tecnologias, podem também ter um impacto negativo no namoro ou nas relações amorosas. Sobretudo, se substituem a experiência concreta e se tornam na experiência. Porém, nada pode substituir a emocionalidade que decorre da interação directa com o outro real (cheiro, toque), bem como o impacto da sua expressão em nós e no outro.
Gostas? Então, di-lo à frente de quem gostas. Vivê-lo-ás mais intensamente e quem tu gostas, também.
Se o fizeres, di-lo também de vez em quando por sms ou na rede que preferires. Não precisas de o fazer sempre mas se quando o fizeres for de forma autêntica e sincera, será mais fácil que o sintas e saibas e o outro, também. Gostar verdadeiramente não tem nada de banal, é uma experiência preciosa e enriquecedora para ambos.
Se ocupares sempre grande parte do teu tempo de volta do teu telemóvel ou nas redes sociais, é compreensível que a pessoa de quem gostas se sinta excluída, desvalorizada e questione o verdadeiro significado da vossa relação. Se deres por ti mais vezes online é possível que estejas offline do que te rodeia. E também mais sozinho e distante de ti próprio. O silêncio e a qualidade da companhia que fazes a ti próprio (experiências e interesses diversificados) reflectir-se-ão na forma como também cuidas de quem gostas e gosta de ti.
E não te esqueças, as novas tecnologias não são boas ou más. Depende sempre da forma como as utilizares. Tens sempre escolha. Escolhe-te mas partilha-te, vivencialmente.

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