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O sortilégio do futebol

Idolatrado por muitos, detestado por alguns, o jogo da bola, o futebol, arrasta multidões e provoca as paixões mais variadas. Deixou de ser genuinamente um desporto para se tornar numa indústria que movimenta milhões. Países como a Espanha, Alemanha, Inglaterra e Itália, com os seus estádios cheios, são bem o exemplo desta indústria dos nossos dias. De vez em quando, porém, “ainda há lugar para o romantismo”, como se escrevia há dias na revista Visão. Isto a propósito de se ter sagrado campeão inglês, o Leicester, um clube com um pequeno orçamento, a milhas dos colossos de Manchester, o United e o City, do Chelsea, do Arsenal, do Liverpool. Situada na região de Est Midlands, 160 quilómetros a norte de Londres, Leicester é uma cidade onde estive há uns anos, militava o clube nas divisões secundárias e, mesmo assim, apercebi-me do entusiasmo dos seus habitantes por futebol. Conduzido pelo veterano Cáudio Ranieri, um italiano de 64 anos que antes nunca vencera um campeonato, o Leicester levou as casas de apostas a ter de pagar um valor recorde de 13 milhões de euros aos apostadores. É que poucos esperavam este feito de jogadores de segunda ordem, de tostões, como estes. Então o goleador Jamie Vardy, que era operário numa fábrica há cinco anos, é hoje figura importante da seleção inglesa, tendo sido eleito futebolista do ano.
Por cá, também um jovem de 18 anos, Renato Sanches, ainda há poucos anos a viver modestamente no bairro da musgueira, em Lisboa, acaba de se mudar para Munique, para o Bayern, a troco de dezenas de milhões de euros. E vive-se a euforia do nosso campeonato, com Benfica e Sporting separados por dois magros pontos, e com milhares vibrando semanalmente com os resultados dos seus clubes. O Benfica, como é sabido, tem mais adeptos, vai na frente, e por isso há uma onda gigantesca a tingir o país de vermelho. É a indústria do futebol em ação, mas é também o descarregar de alienações, de frustações, pelos problemas do dia a dia. É o sortilégio do futebol.

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