Obrigada!

Ana Caldeira
Diretora do jornal O ALCOA

Este não é um editorial. Perdoem-me. É um agradecimento a Deus pela vida da minha mãe. E, nela, pela de todas as mães.

A minha mãe faleceu. No abismo da perda e da saudade, agradeço a Deus a sua partida como uma prenda de Natal vinda do Céu. O Senhor tomou-a nos Seus braços depois de 11 anos de calvário do seu Alzheimer. De uma vida de oração e fé inabalável, de integridade absoluta, de serviço inteiramente desinteressado, de simplicidade e de reconhecimento humilde das suas faltas, de virtude ainda maior porque sempre depreciada por ela própria.

Dizia-me uma prima: “a tua mãe só tinha uma ambição: a santidade”. Acredito que ela gozará o Natal do Senhor já na Sua companhia, já sem Alzheimer, ainda mais sábia, agora santa como ambicionava ser, num “cantinho muito pequenino no Céu”, como ela dizia.

E quanto mais tempo foi passando sem ela me conhecer, depois sem falar, mais se marcaram na minha mente as suas palavras exigentes, mas que sempre praticou. Nestes dias, estou sempre a ouvi-la. “Antes ficar prejudicada do que prejudicar alguém”. “Despesas e trabalhos nunca vêm a calhar, se estivermos à espera de dar jeito nunca damos nada nem ajudamos ninguém”. “Quando não gostamos do que alguém nos diz, nada de rancor, nem lavar de roupa suja; ‘bom dia’, ‘boa tarde’ com o nosso bonito modo e andamos para a frente”. “Gostemos de uma pessoa ou não, o que é, é; não se inventa defeitos a ninguém; os defeitos que temos já nos chegam bem a todos”. “Nunca se pomos à frente; ainda vos dizem ‘chegue-se lá para trás’”. “Muito cuidado com o dinheiro. Todos os dias peço ao Senhor que não dê aos meus filhos honras nem riquezas, mas que sejam pessoas dignas e bons cristãos; como dizia aquela quadra: ‘se o ouro é mau caminho antes tu venhas a ser o pobre mais pobrezinho de quantos pobres houver”. Etc., etc.

Palavras rigorosas. E, por isso, tão boa mãe. A mãe que não queria ser adorada pelos filhos; queria que os filhos adorassem a Deus.

Adoremo-l’O todos, na terra e no Céu, neste Natal.

Ana Caldeira
Diretora do jornal O ALCOA

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