Opinião

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Recomeço das missas em comunidade presencial

Depois de todo este tempo em confinamento, durante o qual estivemos privados do acesso direto à Sagrada Eucaristia, todos celebrámos, com muita expectativa, a possibilidade de voltar a participar na santa missa, presencialmente e em comunidade.

A Eucaristia é sempre um dom, uma graça de Deus que se volta a oferecer a todos e a cada um de nós; é o momento, aqui e agora, em que a entrega de Jesus Cristo por todos e por cada um de nós se torna presente.

Como todos os Sacramentos, a Eucaristia também tem uma dimensão física. Na Eucaristia, Jesus Cristo chega até nós através dos sentidos, para que O possamos realmente ver, para que O possamos realmente escutar, para que O possamos realmente sentir e até para que possamos realmente saborear a Sua Presença, no meio da Sua Igreja.

A participação na santa missa tem sempre uma dimensão comunitária: a Eucaristia foi instituída pelo próprio Jesus Cristo como origem, como fonte, como alimento da Sua Igreja, mas também como meta e destino da comunidade dos cristãos, durante a sua caminhada terrena.

Não se trata apenas de um ato cultural, não se trata apenas de um encontro de amigos e de irmãos que celebram a mesma fé, não se trata apenas de um memorial, de uma recordação da paixão, morte e ressurreição de nosso senhor Jesus Cristo. A Eucaristia é constitutiva da Igreja, é de onde provém a força que sustenta e que conduz a nossa Igreja, num percurso que teve início há mais de dois mil anos e que continuará até ao fim dos tempos.

Mesmo em tempos de feroz perseguição, os católicos continuaram e continuam, infelizmente, a arriscar a sua própria vida para poderem aceder à Vida que Jesus nos quer transmitir e reforçar na Sagrada Eucaristia.

Durante o período de confinamento os católicos souberam dar provas de uma disponibilidade e de um espírito de sacrifício que não tenho a certeza que tenham sido inteiramente compreendidos por quem olha para a santa missa sem a luz da fé. A Igreja Católica reinventou-se e procurou mitigar a fome e a sede do Banquete Eucarístico através da transmissão pela rádio, pela televisão, pelas redes sociais e pelas plataformas digitais de todo o tipo de celebrações religiosas. Para nós, crentes, foi como poder telefonar a um familiar querido, de quem estávamos cheios de saudades – foi sendo melhor do que nada, mas esses “telefonemas” nunca conseguiram, nem nunca conseguirão, substituir os abraços apertados que os nossos corações pediam e que os nossos espíritos ansiavam.

O reinício festivo e solene das missas abertas a todos os fiéis decorreu com tranquilidade, com segurança, e com a responsabilidade que foi caracterizando a ação do povo católico durante este longo período de provação.

Quer ao nível da Conferência Episcopal, quer ao nível de cada paróquia, tudo foi pensado e preparado para que os fiéis possam, presencialmente e em comunidade, acolher este Deus que se quer continuar a fazer presente na Sua Igreja e em cada um de nós.

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